Artigo


Novas Tecnologias na Educação
O desenvolvimento, os desafios do professor e o compromisso da escola.
 


 

 


Resumo

A "Grande Teia Mundial" e as novas tecnologias que tanto bem nos tem feito, trazendo com seus avanços, os desafios que a escola precisa para processar e difundir informações, tem também causado preocupações para um dos principais protagonistas desse processo – o professor. Agrava sua dificuldade, a rapidez com que as novidades tecnológicas surgem e que, com pouco tempo de vida, desaparecem. O que foi novidade na década passada não se ouve mais falar e o que surpreendeu há cinco anos, já está se tornando obsoleto. Embora possamos nitidamente perceber o quanto as novas tecnologias têm contribuído para o desenvolvimento e o avanço tecnológico, possivelmente em todas as áreas do conhecimento humano, há de se considerar que a velocidade pela qual fomos “tomados” por essa nova revolução, também produziu seus males. O papel que deve desempenhar a instituição de ensino junto ao professor que foi pego de surpresa, deve ser pensado com carinho, dada a sua importância no processo ensino-aprendizagem. Ele necessita de tempo e estímulo para se integrar ao novo ambiente de aprendizagem que está sendo criado a sua volta.

 

Palavras-chave: novas tecnologias, professor, aprendizagem, escola, atualização

 

Resumem

El mundo web Grande "y las nuevas tecnologías que tanto han hecho bien en traer a sus avances, los desafíos que la escuela necesita para procesar y difundir información, también ha sido motivo de preocupación para uno de los principales protagonistas de este proceso - el profesor. Agrava la dificultad, la velocidad con que surgen nuevas tecnologías y que, con poco tiempo de vida desaparece. Lo que era nuevo en la última década no se oye hablar más y lo golpeó hace cinco años, ya está quedando obsoleta. Si bien podemos ver claramente cómo las nuevas tecnologías han contribuido al desarrollo, posiblemente en todas las áreas del conocimiento humano, se considera que la velocidad a la que fuimos "tomado" por esta nueva revolución ha producido también sus males. El papel que la institución de la educación con el profesor que fue tomado por sorpresa, se debe pensar con afecto, dada su importancia en el proceso enseñanza-aprendizaje. Se necesita tiempo y apoyo para integrar el nuevo entorno de aprendizaje que se está creando alrededor de ellos.

 

Palabras-clave: nuevas tecnologías, maestro, aprendizaje, escuela, actualización

 

 

Professor do Centro Federal de Educação Tecnológica – RJ
Mestrando em Ciências da Educação
Universidade Americana – Assunção – Paraguai
E-mail: profemilson@cefet-rj.br

Introdução

É recorrente ouvir-se entre os profissionais de educação, especialmente aqueles que dominam as novas tecnologias da informação que [1]”...os alunos não aguentam mais nossa forma de dar aula. Reclamam do tédio de ficar ouvindo um professor falando na frente por horas, da rigidez dos horários, da distância entre o conteúdo das aulas e a vida". Não parece ser segura, pelo menos parte de tal afirmação, considerando o conjunto das reclamações acima, supostamente atribuídas aos alunos.

Em primeiro lugar, como se pode avaliar um professor como entediante, se o aluno não conhece o desempenho de um professor que pudéssemos classificar como de qualidade e, segundo, como aceitar tal avaliação, se prováveis dados não são apresentados para reforçar essa análise. Poderíamos ainda apresentar outra questão: a que grupo de alunos se referem os defensores dessa análise? Por certo se referem aos alunos das escolas particulares, que atendem às classes mais aquinhoadas financeiramente, no entanto, não foram divulgados os instrumentos de consulta que deveriam acompanhar tal afirmação.

Faz-se necessário pontuar que tal assertiva, embora necessitando de competente comprovação, pressupõe-se que diga respeito às escolas modernas e de grandes centros urbanos, deixando de fora 44% dos nossos 5.564 municípios, que não possuem serviço local de celular, nem acesso local à internet. Para [2]Carlos A. Afonso, mais de 2.400 municípios (no Norte e Nordeste) estão descartados pelas empresas privadas de telecomunicações e de serviços internet, onde só há telefonia fixa.

Ainda segundo [3]Afonso, que traz dados de 29 de maio de 2007, mais de 33 milhões de crianças na escola fundamental e cerca de 10 milhões no ensino médio, em cerca de 160 mil escolas públicas, não possuem acesso à internet, ou mesmo equipamento de informática adequado para permitir o acesso quando ele existir. Somente há conectividade em menos de 8% de nossas escolas públicas. Esses dados refletem a realidade de 2007, mas, passados dois anos e meio, não podemos afirmar que houveram mudanças significativas desses dados. Embora sejam dados impactantes, não há nada de alarmante nisso, dadas as proporções geográficas do nosso país.

Então, para 44% dos alunos, em escolas desses municípios brasileiros limitados tecnologicamente, as reclamações apontadas parecem não corresponderem aos seus verdadeiros anseios. Como pode esse aluno se sentir enfadado de um professor desatualizado tecnologicamente, se não dispõe de referencial para poder apoiar seu juízo; se tudo o que o aluno conhece em sala de aula, resume-se na transmissão oral e nos recursos tradicionalmente consagrados e que dependem das limitações da escola, em se tratando dos 44% dos incluídos digitalmente, objeto de nossa análise? Para esses alunos, igualmente supomos que seus professores também sejam excluídos, pois também, supostamente, habitam nos mesmos municípios.

Na tentativa de reduzir a distância digital que nos encontramos hoje em relação aos países desenvolvidos, várias iniciativas públicas vêm sendo tomadas em todos os níveis, na tentativa de reduzir os excluídos digitais. Em 2003 o atual governo lançou o Projeto Cidadão Conectado - Computador para Todos. Esse Projeto faz parte do Programa Brasileiro de Inclusão Digital. O Computador para Todos tem como objetivo principal possibilitar a população que não tem acesso ao computador possa adquirir um equipamento de qualidade, com sistema operacional e aplicativos em software livre, que atendam ao máximo às demandas de usuários, além de permitir acesso à Internet. Prevê ainda que todo cidadão, que adquirir o Computador para Todos, através de linhas de crédito facilitadas pelo Governo Federal, já aprovadas (uma do Fundo de Amparo ao Trabalhado (FAT), operada pelos bancos públicos e outra pelo BNDES), terá o direito a suporte, tanto para atendimento técnico (problemas com hardware, defeitos de fabricação, etc.), como para o uso dos aplicativos.

Ainda outras iniciativas a nível estadual estão sendo implementadas em todos os Estados da federação. A Presidência da República, Ministérios da Educação, Ministério da Ciência e Tecnologia e Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT criaram o Programa Computador Portátil para Professores, com vistas a contribuir com o aperfeiçoamento da capacidade de produção e formação pedagógica dos mesmos, através da interação com a tecnologia da informação e comunicação.

Mesmos com todos esses “esforços governamentais”, pelo menos funcionando como vitrine dos próprios governantes, existem os entraves em um programa dessa natureza. As iniciativas governamentais nem sempre são implementadas, no fim da linha, por técnicos preparados para o acompanhamento e feedback. Como se buscam, nas ações políticas, os dividendos que possam reverter em prestígio e votos para o governante, não se dá a atenção devida aos mecanismos responsáveis pelo sucesso do que se pretendeu implantar. Fica, então, para o usuário final que teve acesso à informação; aquele que seria o beneficiário da iniciativa, a expectativa e a decepção.

Assim, para aqueles que pelas dificuldades conhecidas, não puderam ainda ter acesso aos meios de comunicações modernos, apesar dos “esforços” governamentais, não podemos atribuir-lhes a frase: “... não aguentamos mais a forma de dar aula dos professores atuais”. Como poderíamos supor que faria tal avaliação aquele que não dispõe de referência diferente da sua realidade?! E, nesse caso, estamos falando de parcela representativa, do ponto de vista estatístico.

Há de se desconfiar da análise tão precoce, apontando para um público discente exigente e incomodado com o desempenho docente, e, ainda produz maior desconfiança o fato de tal assertiva não ser acompanhada dos dados que possam comprová-la. Em uma investigação do que pensam os alunos a respeito de seus professores, no que se refere ao uso das novas tecnologias, constatou-se que houve um exagero nessa análise. A pesquisa em questão foi mais a adiante, na tentativa de identificar o que os docentes pensam da informática, suas dificuldades e as limitações das instituições, no sentido de favorecer tanto a capacitação docente quanto utilização do computador pelos alunos.

Números preliminares da pesquisa parecem corroborar com essa tese. Analisando 1566 respostas para a pergunta Nº 1 - Como você avalia a forma que o professor desenvolve sua aula?(ver dados abaixo), percebe-se que os mesmos apontam, curiosamente, para uma posição que pode-se chamar de satisfação moderada, quando 76% dos participantes consideram de regular a plenamente satisfeitos com a forma que o professor desenvolve sua aula e somente 21% dos consultados consideram-se insatisfeitos ou muito insatisfeitos, como a aula é desenvolvida em sala. Esses dados são atualíssimos e, portanto, nos autorizam a dizer que a afirmativa também não se comprova junto aos alunos informatizados, pois os dados coletados foram informados por quem dispõe de acesso à internet, supostamente aqueles que mais condições teriam para apresentarem tais afirmações de descontentamento.

Pergunta 1 – Como você avalia a forma que o professor desenvolve sua aula?

- Plenamente satisfeito

  96 (6%)

- Satisfeito

  495 (31%)

- Regular

  615 (39%)

- Insatisfeito

  241 (15%)

- Muito insatisfeito

  104 (6%) 

- Não sei

  15 (0%)

Participantes: 1566 – Em 23 de janeiro de 2010

Ainda é cedo para tirar qualquer conclusão, mas em uma consulta anterior, quando haviam 103 respostas, os percentuais totalizados entre Regulares e Plenamente satisfeito eram 76% e 20%, respectivamente, apontando que não houve variação significativa nas respostas.

Com 655 respostas a essa mesma pergunta, haviam também 76% e 20%, respectivamente, apontando que as respostas seguem essa tendência.

Assim pode-se inferir que, embora tratando-se de alunos informatizados, não existe insatisfação exacerbada e, se nossos alunos percebem que os professores não são informatizados, pelo menos há uma moderada tolerância e a maioria não considera uma possível falta de conhecimento de informática como entrave para a transmissão do conteúdo da disciplina do professor.

 


MÓDULOS DO  PROGRAMA
 EM PREPARAÇÃO

 

 

Tendências

Ainda, do ponto de vista do professor informatizado, precisamos considerar um aspecto produzido pela própria natureza das novas tecnologias – a atualização necessária, por conta do constante aperfeiçoamento dos mecanismos e inclusões de novas ferramentas, tratando-se de software. Quando consideramos os equipamentos para “rodarem” os softwares, a cada semestre temos novos processadores e dispositivos de memória que, por sua vez, apontam para a necessidade de placas mais sofisticadas e elementos de armazenamento mais velozes e com maior capacidade.

A velocidade com que as empresas de tecnologia de ponta apresentam suas novidades e aperfeiçoamentos e a cada nova versão de um novo Sistema Operacional, tem-se a sensação de que o equipamento está se tornando obsoleto, fazendo com que o usuário comum se torne um desatualizado digital.

 

Segundo Eugênio Trivinho, professor da PUC-SP, em matéria publicada na ISTOÉ Nº 2081- Setembro de 2009, “A inclusão digital é uma utopia, é um mito”. Para Trivinho, a inclusão digital pressupõe atualização permanente, que somente acontece em grupos de pessoas de uma determinada classe social. Essa elite virtual, se mantém antenada porque tem condições de manter seu aparato cibernético atualizado. Mas, além do poder aquisitivo, o incluído digital precisa ter vontade e tempo para acompanhar a evolução tecnodigital, sem a qual, não estará habilitado para "ir" ao ciberespaço.

Há de se concordar que uma aula, hoje, para cativar, impactar e informar ao aluno conectado, precisa ser apresentada através dos canais e da linguagem que o aluno está acostumado. Os canais de comunicação estão se ampliando e se multiplicando e o professor não pode mais se limitar à sua voz ou ao quadro e pincel, como instrumento para transmissão do conhecimento, sob pena de tornar seu momento em sala, algo tedioso e desinteressante.

Com a universalidade da informação e a velocidade com que as novas descobertas são incorporadas à vida cotidiana, mesmo as pessoas mais simples e os alunos das escolas situadas nos lugares mais remotos do nosso país, aos poucos vão se familiarizando com as novidades tecnológicas. Essa rapidez com que as novidades chegam, tornam-se, então, uma forte aliada para forçar a escola a se movimentar, no sentido de adaptar-se e se incorporar à grande rede e à modernidade.

"[4]Em 1990, a internet nem sequer existia em termos sociais. Hoje, conecta quase 1 bilhão de pessoas no mundo e deve interligar a metade da população mundial em dez anos. Atualmente, o preço de uma transação feita pela rede de computadores já atingiu 0,01 centavo de dólar. Numa agência bancária, custaria 1,07 dólar".

A nossa geração está passando por um momento especial, da história da humanidade. Estamos vivendo em escala exponencial, em se tratando de tecnologia e conhecimento. O que o mundo experimenta em termos de novas tecnologias, vai dobrar a cada dois anos, segundo o engenheiro e inventor americano Ray Kurzweil, autor de livros como Fantastic Voyage: Live Long Enough to Live Forever (algo como A Viagem Fantástica: Viva o Suficiente para Viver para Sempre). No ano de 2006, foram realizadas 2,7 bilhoes de pesquisas no Google, em 2008, foram 31 bilhões. Os professores de hoje estão preparando os estudantes para trabalhos que ainda não existem, vão usar tecnologia que ainda não foram inventadas, para resolver problemas que ainda não conhecemos.

Para o educador moderno que habita os grandes centros urbanos, já convencido de que precisa se comunicar e interagir através das NTICs (Novas Tecnologias da Informação e Comunicação), parece ter um caminho árduo pela frente, sobretudo se ainda for resistente à utilização dos novos aparatos tecnológicos ou não dispõe de recursos e tempo para se adaptar ou para ajustar o conteúdo de suas aulas às novas formas de linguagem. Àqueles que incorporaram à cátedra esses novos conceitos e não conseguem mais prescindir dos meios de transmissão, que utilizam os dispositivos tecnológicos recentes, não há como se trabalhar com eficiência e eficácia, se as aulas não contemplarem esses mecanismos. Uma vez incorporado os novos paradigmas, fica difícil voltar às práticas anteriores, pois são inegavelmente mais simples para operar, eficazes e eficientes.

 Moran afirma, no mesmo texto citado no início que [5]“Colocamos tecnologias na universidade e nas escolas, mas, em geral, para continuar fazendo o de sempre – o professor falando e o aluno ouvindo – com um verniz de modernidade. As tecnologias são utilizadas mais para ilustrar o conteúdo do professor do que para criar novos desafios didáticos”, não como um meio de transmissão do conteúdo, mas como uma forma de “coroar” a sua aula, com um “repeteco” do conteúdo trabalhado”.

Segundo a ótica de Moran na citação acima, o professor é pouco afeito às mudanças, no que se refere à sua prática didática. Tão somente analisando os dados apontados anteriormente, não se pode comprovar categoricamente essa afirmativa, mas, em uma olhada descomprometida, sem uma análise baseada em fundamentação maior, pode-se dizer que parece existir um "acordo de cavalheiros" entre o aluno e o professor. O aluno, já acostumado com a prática docente, não espera ou não cobra mudanças. O professor, como não se vê compelido a adotar novas formas de trabalhar o conteúdo de sua disciplina, fórmula essa que vem dando certo, parece adota o dito popular: “Em time que está ganhando, não se deve mexer” Nesse contexto, os conhecimentos ou falta de conhecimento no uso das NTICS parece não produzir desconforto ou insatisfação em ambos os participantes do processo.

Ainda, analisando as respostas da pesquisa, quando perguntado como o professor é visto, em relação ao conhecimento que ele tem no uso das ferramentas de informática (ver na tabela abaixo), os resultados foram surpreendentes. Esperava-se que o aluno apontasse um grande distanciamento entre o professor e o computador, mas poderíamos dizer que os alunos revelaram não existir diferenças desfavoráveis aos docentes, muito pelo contrário. Estão de um modo geral, moderadamente satisfeitos, 72%, considerando os plenamente satisfeitos, os alunos que se consideraram satisfeitos e os que apontaram não estarem preocupados com o nível de conhecimento do seu professor. Somente para 23% dos que participaram da pesquisa, os professores se mostraram falta de conhecimentos em informática.

 

Pergunta 6 – Como você percebe o seu professor, em relação ao conhecimento que ele tem, no uso das ferramentas de informática?

 

- Plenamente satisfeito    - 147 (10%)
- Satisfeito                       - 405 (28%)
- Regular                         - 483 (33%)
- Insatisfeito                    - 220 (15%)
- Muito insatisfeito          - 119 (8%)
- Não sei                          - 47 (3%)

 

 

 

 

 

Participantes:  1421– Em 23 de janeiro de 2010

 No entanto, ao confrontar o conhecimento de  informática do aluno em relação ao do professor (ver na tabela abaixo), baseado tão somente na opinião do aluno, encontramos resultados interessantes: o professor está deixando a desejar para 64% dos alunos e somente 9% consideram o nível de conhecimento do professor, em relação à informática, superior ao seu. Ainda, para 21% dos pesquisados o conhecimento do professor está no mesmo nível do conhecimento dos alunos.

Assim, podemos afirmar que o aluno está muito mais informatizado que o seu professor, o que pode produzir timidez no docente, pela falta de habilidade em utilizar um equipamento ou softwares que o aluno já é expert.

 

Pergunta 7 - Como você classifica o seu conhecimento de informática e de utilização das tecnologias da Web, em relação ao seu professor?

- Conheço muito mais que o Prof.      - 442 (31%)
- Conheço mais que o Prof.                - 470 (33%)
- Conheço igual ao Prof.                    - 285 (20%)
- Conheço menos que o Prof.            - 113 (8%)
- Conheço muito menos que o Prof   - 23   (1%)
- Não sei informar                              - 73   (5%)

 

 

 

 

 

 

 

Participantes: 1406– 23 de janeiro de 2010

A pesquisa aponta para concordância em relação ao que sugere Moran. Embora os alunos considerem que o professor esteja de certa forma, informatizado, declaram que são bem mais informatizados que os mesmos. Nesse caso, percebe-se que haja tolerância quanto ao baixo nível de conhecimento de informática, revelado pelo professor. Talvez pelo fato dele não fazer uso frequente dos aparatos tecnológicos em suas atividades com a classe, como revelado por 65% dos que responderam, quando perguntado se o professor faz uso das novas tecnologias para dinamizar sua aula(ver quadro abaixo).

 Conclusões

Embora estejamos conscientes de que não devemos atribuir à escola todo o ônus pelas mazelas da educação, o papel que deve desempenhar a instituição de ensino junto ao professor que foi pego de surpresa, deve ser pensado com carinho, dada a sua importância no processo ensino-aprendizagem. Ele necessita de tempo e estímulo para se integrar ao novo ambiente de aprendizagem que está sendo criado a sua volta. No entanto, o manejo das formas de transmissão do conhecimento é ferramenta para que o professor possa efetivamente atuar como tal. Não se pode aceitar um profissional que não tenha condições de manejar suas ferramentas de trabalho.

É sabido que a escola sempre foi um ambiente conservador, que incorpora de forma lenta e gradual as mudanças sofridas pela sociedade. O professor, como elemento de elo entre a prática e o ensino, tem também culpa nesse marasmo; nessa dificuldade em incorporar o que a sociedade já vivencia. Como ele também tem suas dificuldades nessa área, sua concordância com o modo como a vida escolar se desenvolve e suas limitações com as novas tecnologias, o coloca mais como produto do meio, que como agente de transformação.

Mesmo que seja inevitável caminharmos nessa direção, não se pode deixar de olhar com maior cuidado, para quem desempenha um papel da maior relevância no processo ensino-aprendizagem. A resistência ao novo e ao desconhecido é uma reação natural de indivíduos e de grupo, especialmente quando se encontram diante de transformações estruturais e funcionais no ambiente de trabalho.

Em levantamento realizado pela Unesco em 2004, sobre o uso que os professores brasileiros fazem da Internet, ficou constatado que mais da metade nunca acessou a Web ou trocou um e-mail. Acreditamos que em cinco anos esse quadro não tenha sofrido alteração significativa, o que nos leva a concluir que o professor, igualmente, mereça atenção significativa.

Especialmente no que se refere à Informática, os avanços tecnológicos que a sociedade experimenta e as empresas incorporam em seu processo produtivo e que chegam às nossas casas, demoram muito a chegar às salas de aula, fazendo com que o recém-formado chegue ao “mundo do trabalho” em outro compasso, em se tratando do aluno que não dispõe de meios para se informatizar.

Mas ainda há uma outra questão: para que haja inclusão digital, precisamos de, pelo menos, quatro providencias: aquisição de equipamentos (computador, impressora, etc), ter acesso à Internet, domínio dos softwares necessários para que esses equipamentos se tornem, efetivamente, ferramentas para o desenvolvimento tecnológico e instrumento para a obtenção do conhecimento e da informação e, ainda, atualização permanente de equipamento, hardware.

Também não basta apenas possuir um simples computador conectado à internet para que possamos considerar uma pessoa incluída digitalmente. É preciso saber o que fazer com essas ferramentas. Não bastam que as escolas adquiram computadores, se não dispõe de professores treinados para atuarem no papel de facilitadores da aprendizagem, equipe de manutenção e verba para atualização, tanto de software quanto de hardware. Se a instituição não estiver atenta, em pouco tempo o laboratório de ponta se transformará em sucata e máquina para se jogar Paciência. Mas a escola tem o papel principal e precisa deixar de ser coadjuvante e apontar para o futuro, indicando ao professor o caminho a ser trilhado, porque, afinal de contas, ela é a responsável pelo produto que oferece.

 Bibliografia
 

1- José Manuel Moran - Os novos espaços de atuação do educador com as tecnologias - Texto publicado nos anais do 12º Endipe – Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino, in ROMANOWSKI

2 - Carlos A. Afonso - Políticas Públicas e Inclusão Digital. Disponível em: http://www.cgi.br/publicacoes/artigos/artigo48.htm - Acessado em 24° de janeiro de 2010.

3 - idem

4 – Impacto e velocidade - O ritmo acelerado da evolução da tecnologia estimula previsões sobre novos avanços. - Revista Veja, Edição especial

http://veja.abril.com.br/especiais/tecnologia_2006/p_014.html
- Em 21 de janeiro de 2010

5 - José Manuel Moran - Os novos espaços de atuação do educador com as tecnologias - Texto publicado nos anais do 12º Endipe – Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino, in ROMANOWSKI

 


 

 

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